sexta-feira, setembro 05, 2014

DIETA DE AGOSTO



JENNY LEWIS – THE VOYAGER (2014)


Em julho saiu  The Voyager, novo álbum da ex-Rilo Kiley (e lindíssima) Jenny Lewis e sucessor do ótimo Acid Tongue (2008).
Depois de um hiato de anos sem lançamentos, Jenny  traz em The Voyager praticamente um diário de reflexões sobre suas experiências amorosas com uma pegada altamente inspirada no pop dos anos 70. Até aí tudo bem, afinal sua antiga banda Rilo Kiley já tinha pintado um fundo a La Fleetwood Mac em Rumours (e até um pouco de Abba). O problema é a sensação de “talento desperdiçado” que tive, e que me deixou com um gosto de decepção. Não me entenda mal, pois certamente eu seja o maior fã que eu conheça da Jenny. Esperei muito por esse álbum, mas em vários momentos de The Voyager, a urgência em contar histórias sobre amores passados soa forçada, sempre variando de tema, ou de história.
Jenny Lewis tem sido, entre as mulheres,  a vida inteligente na música popular americana.Compositora inspiradíssima que vinha se fortalecendo após sua parceria com Jonnathan Rice, que também é seu atual parceiro.
Um crítico chegou a escrever:”... em algum lugar do passado partiram o coração de Jenny...”. De fato esse tom confessionista permeia todo o The Voyager, e é exatamente na música título que encontramos, coincidentemente, o maior momento do álbum. The Voyager nos dá um clima nostálgico fora de série com seus falsetes dinâmicos e libertadores.
Outro problema é a falta de bom material ou seja, boas composições. O que talvez seja consequência do tom saudosista do álbum. Aliás, a nostalgia musical é um dos fortes no álbum. As músicas resgatam timbres e arranjos muito bem executados. Você consegue imaginar essas músicas tocando nas rádio dos anos 70, como no single Just One Of The Guys e She’s Not Me. Outro grande êxito é Love U Forever, outra faixa que sai um pouco do conceito inicial, e até lembra o Rilo Kiley.
 JENNY AND JOHNNY - I'M HAVING FUN NOW (2014)
Quase que simultaneamente ao lançamento de The Voyager, disco solo de Jenny Lewis, eis que ela reaparece com seu primeiro disco em parceria com seu amor Jonathan Rice, o I'm Having Fun Now - e que discaço!!
Após ressuscitar memórias de amores passados em seu disco, Jenny Lewis volta ao tom dançante e "pra cima" que tanto ela viveu nos bons tempos de Rilo Kiley
Como bem ilustra o próprio título e capa do álbum, I'm Having Fun Now vem permeado de um clima ensolarado com música empolgadíssimas e despropositais, sempre trazendo certa nostálgia que, aliás, vem sendo característica recorrente na música de Jenny, como Big Wave, Just Like Zeus e My Pet Snakes.
A sintonia entre Jenny e Johnny são notórias em todo o álbum, com os dois sempre em revezamento e brilhando juntos. 
Em alguns momentos também há tempo pra algumas baladas de ótimo gosto como Switchblade e New Yorker Cartoon.
Fica aquela sensação de que I'm Having Fun Now vai sr daqueles álbuns que vai tocar muito nas minhas playlists, mas também a impressão de um Jonathan Rice presentíssimo e em total sintonia com sua parceira, como se os dois estivessem tocando numa festa e fazendo, mais uma vez, total jus ao titulo do álbum.


 GUARDIÕES DA GALÁXIA (2014)
Quando eu vi os trailers virais de Guardiões da Galáxia a questão que mais passou na minha cabeça foi: Como diabos vão fazer essa trilha sonora fazer sentido em um filme de saga espacial?
Pois é, ingenuidade minha, ou falta de esperança, talvez. A verdade é que esse problema se torna poeira já nas primeiras sequências do filme.
Guardiões da Galáxia é sim, mais um agente de expansão do universo Marvel no cinema, embora não dê  muitas ligações com a trama Vingadores, como tem sido até então - comk excessão de Thanos e o problema das Gemas do Infinito. Mas é aí que está o mérito todo: a Marvel Studios está jogando esse jogo de boa e está tão à vontade que decidiu ampliar seus horizontes, abrir diálogos com novos públicos. È a versatilidade, meu amigo!
Enquanto a rival DC se enrola e burocratiza toda tentativa de adaptar, a Marvel vai no sapatinho, na simplicidade.
Os Guardiões são personagens, apesar de serem antigos, do quinto escalão da editora e universo Marvel. Daí a estranheza de quem nunca ouviu falar. Mais um obstáculo facilmente reduzido no filme.
Um dos filmes mais divertidos do ano, certamente.



sexta-feira, julho 18, 2014

MELHORES VÍDEOS (TROQUEI DE "CLIPES" PARA "VÍDEOS")

KT TUNSTALL: I WANT YOU BACK (JACKSON 5 LIVE C0VER)

GARBAGE: PUSHIT IT


WEEZER: BUDDY HOLY

VEM AÍ INTERPOL: ELPINTOR

Em setembro sai o novíssimo álbum do Interpol, o Elpintor (achei estranho ser tudo junto), primeiro trabalho sem o baixista Sam Fogorino. Enquanto não sai, eles liberaram o primeiro single que, por enquanto, achei só OK. Senti falta de uma maior elaboração no arranjo. Talvez seja a falta do Sam, mas prefiro esperar o álbum pra melhor analisar.

MAIS JENNY LEWIS


segunda-feira, julho 07, 2014

VEM AÍ...JENNY LEWIS: THE VOYAGER

Nunca escondi de ninguém que sou "tiete" de Jenny Lewis, há muito tempo acompanho seu trabalho.
Pois é, no final de Julho sai The Voyager, novo album de Jenny.
Enquanto não chega 29 de Julho, segue o primeiro single divulgado de forma oficial: Just One Of The Guys.

MELHORES HQ'S


X-MEN: DIAS DO FUTURO DE UM FUTURO ESQUECIDO (DAYS OF THE FUTURE PAST)
(1980)
O conceito de viagem no tempo começou a ser romantizado no século 19 - para muitos, pela primeira vez, em A Máquina Do Tempo, de H. G. Wells
Mas no século 20 - mais precisamente nos anos 80 - o tema começou a ser adaptado com maior frequência no cinema  e segue revisitado vez ou outra até hoje.
Bom, ao ler esta a HQ hoje ou até em ver o filme (o livro foi recentemente adaptado), você pode torcer o nariz e pensar: "Nossa, novamente um filme sobre viagem no tempo?"
Te aviso então, leitor, que antes de De Volta Para o Futuro ou O Exterminador do Futuro (1984), o conceito "voltaaopassadoparasalvarofuturo" já havia sido explorado na série X-Men.
De 1980, Dias De Um Futuro Esquecido (Days Of The Future Past) foi publicada nas edições 141 e 142 de Uncanny X-Men nos Estados Unidos. Neste arco o escritor Chris Claremont e o ilustrador John Byrne apresentaram um futuro caótico (o ano era 2013) onde os mutantes eram exterminados e o mundo era controlado pelos sentinelas (robôs exterminadores de mutantes, conceito apresentado pela primeira vez ainda nos anos 60 por Stan Lee). Na trama os mutantes rebeldes enviavam a mente de Kitty Pride ao corpo da jovem Kitty do presente, pra convencer os X-Men a impedirem o assassinado do senador Robert Kelly e, assim, impedirem os eventos causadores do futuro negro.
No final dos anos 70, Claremont e Byrne revolucionaram as revistas regulares de heróis inserindo conceitos inovadores narrativos e gráficos. Dias De Um Futuro... foi um sucesso na época e está entre as maiores obras da história da editora Marvel, citada até hoje como referência do setor.

sexta-feira, julho 04, 2014

DIETA DE JUNHO

 


Poucos notam, mas houve um época que a indústria cinematográfica ignorava com veemência a idéia de levar personagens das HQ"s para as telas. Hoje pode-se dizer que Brian Singer foi o responsável não só por mudar esse quadro como por mostrar que sim, havia ótimo material disponível e a espera de ser explorado, e sim, era possível adaptar esse material com inteligência e acessibilidade.
14 anos após essa - digamos - "PEQUENA REVOLUÇÃO", Brian volta à franquia mutante com a missão de trazer de volta qualidade e seriedade à série e não só consegue êxito como resolve o imbróglio cronológico e artístico.
Dias De Um Futuro Esquecido é inspirado na precursora história criada por Chris Claremont e John Byrne em 1980 - muitos pensam que essa obra vem depois de O Exterminador do Futuro. Aí você pensa: "De novo um filme sobre viagem no tempo?!", mas aí é que entra a palavra que eu escrevi anteriormente: "PRECURSORA". Antes de O Exterminador e De Volta Para o Futuro e inúmeros outros filmes sobre a temática "tempo", isso já havia sido feito na literatura escrita e gráfica.


Na trama original de 1980, a mente de Kitty Pride voltava do futuro (no caso, uma apocalíptica 2013 dominada e aterrorizada por sentinelas) para a mente de jovem Kitty do presente, no intuito de convencer os X-Men a impedir que Mísitca, em um ato terrorista, assassine o senador Robert Kelly, ato que desencadeará nesse futuro negro.
Enfim, finalmente um filme sóbrio, bem escrito e, principalmente, apaixonante, explorando personagens que merecem seu destaque - como em cenas grandiosas de Magneto, Mística e uma já cult sequência com Pietro Maxinoff (Quicksand ou Mercúrio). Outro ótimo acerto foi descentralizar Wolverine, que já ganhava status de protagonista nos filmes anteriores, e devolver o que X-Men sempre teve de melhor no seu conceito: Charles Xavier x Magneto, o conflito de ideais e suas consequências políticas e sociais.
Verdade seja dita, a Marvel Studios está construindo seu universo no cinema com extrema qualidade. Ao apresentar a sequência de um dos seus personagens mais representativos, O Soldado Invernal consegue representar muito bem o porquê de  o Capitão América ser o centro motor do universo Vingadores.

Como sempre penso: "Não existe personagem ruim, mas mal escritores". 

Como nas melhores histórias do Capitão escritas até hoje, O Soldado Invernal explora as consequências e dilemas quando Steve Rogers  se vê confrontado por seus próprios ideais patrióticos, sua essência. Outra questão interessante é abordar uma narrativa de um herói fora do seu tempo, procurando um novo sentido, uma direção e, paralelamente, se ver sozinho na obrigação de enfrentar seus próprios fantasmas.
Este filme talvez seja, do ponto de vista técnico, o melhor dos estúdios Marvel até hoje - ou pelo menos um dos melhores. Um roteiro dinâmico e linear, e com tantos personagens (alguns muito bem resgatados) sempre é complicado de executar, pelo menos com tamanho êxito. As sequências de ação também são ótimas e até levam o personagem principal a outro nível, nesse sentido.
Enfim, O Soldado Invernal parece indicar um novo padrão para os filmes da Marvel e, porque não, para os demais filmes do gênero.

domingo, abril 06, 2014

DA SÉRIE "MELHORES VIDEO CLIPES"


 TRAVIS - DRIFTWOOD


METALLICA - TURN THE PAGE (BOB SEGER COVER)
BLUR - COFFEE & TV

sexta-feira, abril 04, 2014

DA SÉRIE "MELHORES HQ'S"


SURFISTA PRATEADO: PARÁBOLA
De Stan Lee e Moebius
Em 1988 a Marvel Comics lançou Silver Surfer: Parable, cultuada Graphic Novel em duas partes originada de uma parceria entre duas lendas dos quadrinhos: Stan Lee (roteiro e argumento) e Moebius (arte).
Stan Lee já era conhecido pela sua obra e contribuições para a grande Marvel Comics. Já o francês  Moebius (pseudônimo de Jean Giraud) só ficou mais conhecido mundo afora com essa obra - antes apenas era conhecido no cenário alternativo com obras como Tenente Blueberry e Arzach.
Parábola nasceu de um encontro entre Stan e Moebius numa Comic-Con em San Diego e tiveram a idéia de criar algo em conjunto. 
Parábola conta uma terceira vinda do faminto Galactus que, ao confrontar mais uma vez o Surfista Prateado é mais uma vez derrotado. Esse episódio acaba transformando Norin Radd em um herói celebrado em todo o mundo. Essa premissa acabou dando a Stan Lee a oportunidade de explorar as relações entre o homem e seus ídolos, sejam eles místicos, religiosos etc.
Moebius, famoso pelas suas visões futuristas em ambientação e design, também acaba dando um brilho único na estória de Stan.

20 ANOS SEM KURT

Em 4 de maio de 1994, Kurt Donald Cobain abandonou esse plano de existência. Na verdade - do ponto de vista musical - ele partiu tão violentamente quanto nasceu. 
Seu corpo foi encontrado em 8 de maio de 1994 em sua mansão em Washington. Kurt havia se suicidado e deixado uma carta:
" Para Boddah
Falando como um simplório experiente que obviamente preferiria ser um efeminado, infantil e chorão. Este bilhete deve ser fácil de entender.
Todas as advertências dadas nas aulas de punk rock ao longo dos anos, desde minha primeira introdução a, digamos assim, ética envolvendo independência e o abraçar de sua comunidade, provaram ser verdadeiras. Há muitos anos eu não venho sentindo excitação ao ouvir ou fazer música, bem como ler e escrever. Minha culpa por isso é indescritível em palavras. Por exemplo, quando estou atrás do palco, as luzes se apagam e o ruído ensandecido da multidão começa, nada me afetava do jeito que afetava Freddie Mercury, que costumava amar, deliciar com o amor e adoração da multidão – o que é uma coisa que totalmente admiro e invejo.
O fato é que não consigo enganar vocês, nenhum de vocês. Simplesmente não é justo para vocês e para mim. O pior crime que posso imaginar seria enganar as pessoas sendo falso e fingindo que estou me divertindo 100 por cento. Às vezes acho que eu deveria acionar um despertador antes de entrar no palco. Tentei tudo que está em meus poderes para gostar disso (e eu gosto, Deus, acreditem-me, eu gosto, mas não o suficiente). Me agrada o fato de que eu e nós atingimos e divertimos uma porção de gente. Devo ser um daqueles narcisistas que só dão valor às coisas depois que elas se vão. Eu sou sensível demais. Preciso ficar um pouco dormente para ter de volta o entusiasmo que eu tinha quando criança.
Em nossas últimas três turnês, tive um reconhecimento por parte de todas as pessoas que conheci pessoalmente e dos fãs de nossa música, mas ainda não consigo superar a frustração, a culpa e a empatia que tenho por todos. Existe o bom em todos nós e acho que eu simplesmente amo as pessoas demais, tanto que chego a me sentir mal. O triste, sensível, insatisfeito, pisciano, pequeno homem de Jesus. Por que você simplesmente não aproveita? Eu não sei! Tenho uma esposa que é uma deusa, que transpira ambição e empatia, e uma filha que me lembra demais como eu costumava ser, cheia de amor e alegria, beijando todo mundo que encontra porque todo mundo é bom e não vai fazer mal a ela. Isto me aterroriza a ponto de eu mal conseguir funcionar. Não posso suportar a ideia de Frances se tornando o triste, autodestrutivo e mórbido roqueiro que eu virei.
Eu tive muito, muito mesmo, e sou grato por isso, mas desde os sete anos de idade passei a ter ódio de todos os humanos em geral. Apenas porque parece muito fácil se relacionar e ter empatia. Apenas porque eu amo e sinto demais por todas as pessoas, eu acho. Obrigado do fundo de meu nauseado estômago queimando por suas cartas e sua preocupação ao longo dos anos. Eu sou mesmo um bebê errático e triste! Não tenho mais paixão, então lembrem, é melhor queimar do que se apagar aos poucos¹. Paz, Amor, Empatia.
Kurt Cobain
Frances e Courtney, estarei em seu altar. Por favor, vá em frente, Courtney, por Frances. Pela vida dela, que vai ser bem mais feliz sem mim.
EU TE AMO, EU TE AMO! "

¹ - Conforme o texto original "it's better to burn out than to fade away", é um trecho retirado da música Hey Hey, My My (Into the Black), de Neil Young.
 
Poucas vezes o cenário musical foi tão "violentamente" abalado quanto no estouro mundial de Nevermind (1991) que, ao contrário do que muitos pensavam, não era o álbum de estreia da banda. Nevermind abriu um rombo no preciosismo da indústria pop que ecoa até hoje, era o underground encontrando o mainstrean pra nunca mais perdê-lo.
A ascensão do Nirvana recolocou o Rock na programação popular e abriu caminho pra centenas de bandas e repôs Seattle no mapa do rock.
Não por acaso, Kurt - de origem humilde e grau educacional baixo - trouxe honestidade e alma em suas canções. Suas música eram gritos de protesto e , por que não, agonia do "homem comum" que não entende ou se encaixa no mundo real. 

Kurt Cobain, uma alma atormentada e artista incompreendido.
Sim, acima de qualquer estereótipo, o HOMEM COMUM.

segunda-feira, março 03, 2014

domingo, março 02, 2014

DIETA DE FEVEREIRO



HOUSE OF CARDS 1
House Of Cards é a primeira investida da Netflix na produção de séries,e o resultado não poderia ser melhor. Primeiramente, me chamou a atenção o fato de se tratar de Kevin Spacey e Robin Wright nos papéis principais de uma série de David Fincher (um dos meus diretores prediletos), e mesmo assim eu não esperava ficar tão satisfeito com essa série.
House  aborda a luta de poderes dentro da poderosa política americana - uma espécie de Game Of Thrones na Casa Branca, e de uma forma esplendorosa. Um texto criterioso e dinâmico, interpretado por um ótimo elenco - como a ótima Kate Mara, revelação da série.



BECK - MORNING PHASE (2014)
Na minha opinião, 2014 começou muito bem. Beck Hansen já provou que tem talento e qualidade, e dessa vez investe no que ando chamando de Sea Change 2, ou Morning Phase.
Não dá pra negar que Morning Phase nos remete automaticamente à Sea Change (2002) - especialmente em sua abertura (Morning), só que isso necessariamente não é uma coisa ruim, pelo contrário: a volta ao clima folk e psicodélico de Sea faz muito, mas muito bem aos ouvidos.
A trágica Wave já tinha vazado na net em performances ao vivo de Beck acompanhado de uma orquestra. Country Down é doce, como também Blue Moon (uma das melhores). A dinâmica Heart Is A Drum e a vocalizada Turn Away também estão entre os grandes momentos.


FRANK ZAPPA - HOT RATS (1969)
Demorei muito pra começar meu relacionamento com a discografia do Frank Zappa. Com exceção de algumas músicas soltas (como a ótima No Not Now), eu sempre soube que precisava conhecer mais.
Por sugestão de um amigo, comecei então com Hot Rats.
Frank criou fama pelo virtuosismo e ecletismo de seus álbuns, e aqui não é diferente. A diversidade da instrumentação nas músicas só deixa mais óbvio seu cuidado e pesquisa de timbres.

terça-feira, fevereiro 04, 2014

DIETA DE JANEIRO

NEIL YOUNG – HARVEST (1972)
Já deixei aqui mais do que clara a minha admiração por parte da obra de Neil Young. 
Pois é, o álbum da vez agora é Harvest, que anda sem querer sair das minhas playlists. 
Apesar de já ter se destacado na época de Crosby, Still, Nash & Young, e já ter  ganho respaldo com três ótimos álbuns (Neil Young, Everybody Knows This Is Nowhere e After The Gold Rush), a verdade é que é em Harvest que Neil constrói a sua famosa química rock / folk / country e que, mais tarde, se tornaria a parte mais influente de seu trabalho. Estamos diante da melhor fase do “compositor” Neil Young em Harvest, com violão na mão e um coração aberto. 
Sem falar que é o álbum com maior índice de "músicas de ferir o coração" - não dá pra ignorar um álbum que tem  A Needle And The Damage Is DoneHeartOf Gold e Old Man.




THE SECRET LIFE OF WALTER MITTY / A VIDA SECRETA DE WALTER MITTY (2013)
Eu não esperava tanto, mas Bem Stiller conseguiu sua obra prima em Walter Mitty. Com esse filmaço, o Ben deixa de ser um ator que se aventura de vez em quando como diretor e consegue a sensibilidade pra construir uma estória que lhe dá o status e respaldo de grande diretor, e de forma merecidíssma.  
A jornada de um homem (Walter Mitty) à procura da libertação da mente, outrora presa em sua própria imaginação. Um filme poético, sensível, coeso e dinâmico. 
Walter é um filme  "sobre" e "para" sonhadores.

THE SECRET LIFE OF WALTER MITTY – TRILHA SONORA (2013)
Fora a lindeza que é esse filme, eu diria ainda que sua trilha sonora é um bônus.  Walter Mitty traz contribuições inspiradas do sueco/argentino  José Gonzalez, hora com a sua banda Junip (Far Away e Don’t Let It Pass), ora interpretando outros artistas (Stay Alive de Ryan Adams e #9 Dream de John Lennon) ou trazendo seu próprio material (Step Out). Outros temas do filme também empolgam – geralmente trazendo destaques da cena indie, como Arcade Fire (Wake Up) ou clássicos como David Bowie (a icônica Space Oddity).

CLARA NUNES
Sim, eu ouço música brasileira – a boa, e gosto. Clara Nunes, no caso, aprecio desde a infância. Dona de uma das últimas grandes vozes do país – na minha opinião-, essa mineira difundiu e popularizou ritmos afro brasileiros, temas e folclores brasileiros, mesclando-os à nova MPB de sua época. Sem falar que parecia uma deusa quando com o microfone na mão.

GRAVITY / GRAVIDADE (2013)
O grande filme de 2013 é também super inovador e surpreendente. Uma viagem verdadeiramente transcendental pelo silêncio do espaço.  De Alfonso Cuarón, aclamado pelo ótimo O Labirinto Do Fauno.


HER / ELA (2013)
Como imaginar você se emocionar com uma história de amor entre um homem e seu sistema operacional?
Parece estranho não é? Talvez.
Mas tudo na vida exige uma abertura de mente e sensibilidade.
Spike Jonze se aventura ao criar, pela primeira vez, a "sua" estória de amor, uma do seu jeito, o resultado foi Her.
Poucos são os filmes que nos brindam com uma estória tão interessante quanto discutíveis. Her  nos leva a situações onde, a todo o momento, confrontamos nossos critérios morais e sentimentais de ângulos diferentes.


domingo, dezembro 29, 2013

ÁLBUNS DE 2013 (MEUS PREDILETOS)

Todo ano tenho a sensação de que, em matéria de música, foi pior que o ano anterior. Mas penso melhor e acabo concluindo que provavelmente eu apenas não tenha ouvido tudo que saiu naquele ano, ou talvez eu acabe gostando no futuro de algo que tenha ignorado no presente. Sempre deixo passar algo.
Na verdade isso acontece muito. Muitas bandas que adoro, eu odiei nas primeiras vezes que ouvi.
Nessas horas sempre lembro que a "boa arte" também pode causar estranhamento. O que é novo e original pode parecer estranho no primeiro momento, e fazer sentido só mais tarde.
Em todo caso segue a lista dos melhores que ouvi nesse 2013 - pelo menos até o presente momento.
ÁLBUNS DE 2013

ARCTIC MONKEYS - AM
A sensualidade, o balanço e o charme de AM mudaram meus conceitos sobre os ingleses do Arctic Monkeys. Aquela urgência frenética e virtuosidade caótica dos primeiros trabalhos empolgavam sim, mas também gerava uma certa "confusão sonora" às vezes. Isso tudo deu lugar à desaceleração e cadência pra buscar novas possibilidades e se reinventar. Os mais puritanos seguidores sentirão certa estranheza à princípio, mas encontrarão, entretanto, todos os elementos do bom e velho Arctic Monkeys.

QUEENS OF THE STONE AGE - ... LIKE CLOCKWORK
Josh Homme já tocou com PJ Harvey, Dave Grohl, John Paul Jones e outros grandes nomes. Mas seu projeto principal, apesar de já ter se estabilizado na lista dos grandes do gênero - e até já ter sido considerado o próximo Nirvana -, precisava de um trabalho coeso; sua obra prima.
Eis que surge ... Like Clockwork
Sóbrio, mórbido, melancólico, dançante e assustador estão, agora mais do que nunca, entre os adjetivos do universo e jeito  "Homme" musical de ser.

NEIL YOUNG AND CRAZY HORSE - PSYCHEDELIC PILL
Neil Young recorreu a um jeito mais sutil e rústico pra gravar o seu retorno triunfante junto ao Crazy Horse (sua banda de apoio há décadas).
Psychedelic Pill tem um quê de improvisado e simplório comparado a outros trabalhos, mas isso só dá mais espaço pra uma das características principais da música de Neil, a alma.
DAFT PUNK - RANDOM ACCESS MEMORIES
Esse novo do Daft Punk soa mais como uma "festa como nos velhos tempos" do que "o novo disco do Daft Punk". As novas tendências e a vanguarda, outrora sempre presentes, deram lugar a um retrocesso proposital Há outros tempos e outros padrões musicais. 
A verdade é que, mais uma vez, o Daft Punk deu as cartas nas festa de 2013. Nenhuma música tocou tanto do que Get Lucky.
Grandes participações se aliam a um balanço único e próprio de quem realmente entende do assunto.
VAMPIRE WEEKEND - MODERN VAMPIRES OF THE CITY
O charme e a rusticidade de Vampire Weekend não surpeendeu tanto, mas me agradou por demais. O amadurecimento é notório quando você compara os álbuns. Belíssimo.


quarta-feira, dezembro 25, 2013

TOP TEN DEZEMBRO (HITS)

DIETA DE DEZEMBRO

ELTON JOHN vs PNAU
Pnau é uma dupla de músicos eletrônicos australianos. Em 2012 lançaram esse disco divertidíssimo: Good Morning To The Night.
Good Morning To The Night reúne trechos de canções de Elton John, compreendendo sua melhor fase: os anos 70 e alguma coisa dos anos 80. Só agora em Dezembro consegui  ouvir, mas foi uma bela surpresa.
 É interessante ver as colagens de diferentes faixas fazendo nascer um resultado novo e bem satisfatório como a sensual Black Icy Stare, que contém diferentes trechos de Caribou de 1974, ou a nudez de Grey Seal (Yellow Brick Road de 1973) em Phoenix.



VAMPIRE WEEKEND - MODERN VAMPIRES OF THE CITY (2013)
O Indie Rock "barroco" dos nova iorquinos do Vampire acabou ficando mais pop em Vampires Weekend Of The City mas, nesse caso, acessível talvez tenha um sentido menos, digamos, notório.
Mesmo adotando uma urgência pop e dançante, o Vampire parece ser criterioso quanto à perder o seu som, e não abre mão mesmo.
O balanço punk de Diane Young, por exemplo, é comedido e refinado, bem como a radiofônica Don't Lie, enquanto Step ou Everlasting Arms traz o som "vampiriano" de sempre, e da melhor qualidade.





sábado, novembro 30, 2013

DIETA DE NOVEMBRO

ARCTIC MONKEYS - AM (2013)
Sempre acho louvável quando um artista, depois de um certo tempo, tenta se reinventar. Às vezes não dá certo como se espera, mas no caso do Arctic Monkeys essa mudança fez mais do que bem, fez MUTO BEM.
Pra mim, o Suck It And See (2011) poderia ter sido melhor, mas vendo hoje me parece mais uma oficina que acabou contribuindo para algo melhor: o AM.
Em AM Alex Turner apimenta um pouco a desaceleração de Suck It And See e adiciona uma certo "swing" e sensualidade pra botar você pra dançar, e dá até pra sentir lá no fundo uma pitadinha de Glam rock. Com os grooves em cadência mais lenta, as guitarras ficaram bem mais charmosas e é aí que aparece a nova qualidade de Turner: as melodias - especialmente com os novos "diálogos" vocais, sempre em falsete.
O visual novo da banda (estético e sonoro) também são incríveis. Alex parece ter entrado num túnel do tempo e voltou diretamente da década de 50, com jaqueta de couro e topete e gel, no melhor estilo rockabilly.
Confesso que também tenho um ouvido sensível pra esse tipo de som, e o balanço de AM realmente conseguiu me contagiar (o que não é fácil).








TIM MAIA - NOBODY CAN LIVE FOREVER (2012)
Todos já sabem, mas sempre vale a pena lembrar que "O CARA" da soul music no Brasil é gordinho e atendia pelo nome de Tim Maia.
É, meu amigo, é difícil resistir a qualidade musical e vocal do Tim, especialmente quando ele resolvia swingar.
Nobody Can Live Forever (2012) é um apanhado dos melhores momentos Soul de Tim, resgatando seus momentos mais inspirados como em alguns clássicos de do cultuado Racional (1975) e algumas raridades.
OUÇA:
Quer Queira ou Não Queira
O Caminho Do Bem
Ela Partiu

PAUL McCARTNEY - NEW (2013)
Não dá pra esperar que Paul McCartney ainda surpreenda. Mas também não é certo pensar que não valha a pena ouvir seu trabalho atual.
Na verdade, o coroa ainda mostra vitalidade e insiste em se manter "no jogo".
New é um album que mostra um mestre do pop desfilando com mérito pelas técnicas que ele mesmo ajudou a construir, na tentativa de se manter vivo, e sim, é um bom album.
Paul passa a impressão de que não se importa mais em inovar ou ter qualquer quer outra pretensão além de tocar e se divertir. E é aí que ele ainda chama atenção.